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Operação “Fim da Linha” prender 14 pessoas suspeitas de envolvimento em organização criminosa no litoral do Paraná

O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quarta-feira, 30, a Operação Fim da Linha, que resultou no cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão domiciliar em uma ampla investigação sobre o tráfico de drogas no litoral paranaense. A ação contou com apoio das polícias Civil, Militar, Força Nacional e outras forças de segurança.

As ordens judiciais, expedidas pelo Juízo da 2ª Vara Criminal de Paranaguá, foram cumpridas nos municípios de Paranaguá, Pontal do Paraná e Foz do Iguaçu, marcando o ponto final de uma apuração que começou em maio de 2024 e revelou uma organização criminosa complexa, estruturada e armada voltada ao tráfico de entorpecentes.

A operação ocorre paralelamente ao projeto MP em Movimento, que leva o gabinete do procurador-geral de Justiça a diferentes regiões do estado e que, nesta semana, está sendo realizado em Paranaguá.

Prisões e apreensões

De acordo com Fernando de Carvalho Santana, delegado Polícia Civil atuante no GAECO, dos 24 mandados de prisão preventiva expedidos, 18 alvos estavam em liberdade. Destes, 14 foram presos nesta quarta-feira, incluindo um homem localizado em Olímpia, no interior de São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista. Três deles foram autuados em flagrante: dois por tráfico de drogas e a advogada por posse de armamento ilegal.

O delegado confirmou o envolvimento da advogada de Gislaine Dembiski, que dava suporte ao grupo mesmo após a prisão da chefe. Ela foi presa em flagrante em Foz do Iguaçu, com armas de fogo, incluindo um revólver calibre 9mm e munições de fuzil 7.62.

“Essa advogada fazia mais do que repassar ordens. Atuava ativamente na contabilidade e logística da organização, como integrante de fato”, afirmou o delegado Fernando.

Durante a operação, também foram bloqueadas 45 contas bancárias, com R$ 155 mil em valores sequestrados até o momento, número que ainda deve crescer com novas ordens judiciais em andamento. Dois veículos de luxo, avaliados em aproximadamente R$ 200 mil, também foram apreendidos.

“O objetivo foi alcançado: desarticulamos completamente essa organização criminosa ramificada e estruturada, com presença forte aqui em Paranaguá”, disse o delegado.

Envolvimento de policial militar

Entre os investigados está também um policial militar, já afastado das funções devido a investigações anteriores. Embora ele e a esposa não tenham tido a prisão decretada nesta fase, o delegado afirmou que há indícios de que ambos atuavam em colaboração com a quadrilha.

Organização criminosa comandada por mulher já presa

Durante a investigação, foi identificado que grande parte do comércio de drogas em Paranaguá era controlado por Gislaine Dembiski de Carvalho, 38 anos, conhecida como “Nega”, presa em outubro de 2024 após mais de dois anos foragida. De acordo com o delegado Fernando de Carvalho Santana, da Polícia Civil e integrante do Gaeco, ela é apontada como líder da organização criminosa, responsável por determinar funções, coordenar a logística e comandar os demais integrantes, mesmo de dentro do presídio.

“Essa mulher era extremamente cautelosa, o que dificultava sua localização. Graças à integração entre forças de segurança, conseguimos capturá-la e dar continuidade às investigações”, destacou o delegado.

Segundo o Gaeco, a organização contava com fornecedores de drogas na Região Metropolitana de Curitiba e no estado de Santa Catarina, alvos da Operação Supply, deflagrada em maio deste ano. Durante essa ação, foram descobertos dois núcleos fornecedores, com movimentação milionária em contas de laranjas, pessoas físicas e jurídicas, e com acesso a armamentos de guerra, inclusive fuzis.

Operações derivadas e atuação hierárquica

Além da Operação Supply, outras duas fases anteriores, Operação Espelho Quebrado (dezembro de 2024) e Operação Teia (fevereiro de 2025), já haviam cumprido mandados relacionados à mesma organização. Ao longo do processo investigativo, o Gaeco identificou uma estrutura com divisão clara de tarefas, que incluía desde traficantes do varejo até responsáveis por armazenamento e logística.

“Tinha um núcleo que fazia o varejo, com pontos de venda da própria líder. Outras pessoas atuavam como ‘guarda-roupa’, armazenando drogas, e também havia responsáveis por transportar os entorpecentes até os bairros”, explicou Fernando Santana.

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