Três meses depois, pais de alunos da Escola Manoel Viana seguem sem transporte e obras não iniciaram

Após três meses de incertezas, os problemas enfrentados pelos pais de alunos da Escola Municipal Manoel Viana, em Paranaguá, continuam sem solução. As obras na unidade ainda não foram iniciadas e não há previsão para seu início ou conclusão. Enquanto isso, os estudantes seguem realocados sem apoio de transporte escolar.
Em 2025, diversas escolas municipais da cidade foram interditadas pela Secretaria Municipal de Educação devido a problemas estruturais. Entre elas, a Escola Manoel Viana, localizada no centro da cidade, foi uma das mais afetadas. Segundo a secretária de Educação, Fabíola Arcega, “a estrutura do bloco mais recente apresenta sinais de movimentação do terreno, com fissuras e trincas em crescimento. É necessária uma investigação aprofundada. Estuda-se um projeto de revitalização em conjunto com o terreno ao lado.”

Com a interdição, cerca de 80 crianças foram transferidas para o Complexo de Natação Nereu Gouveia, no bairro Ponta do Caju. A decisão, no entanto, tem gerado inúmeros transtornos, principalmente para famílias que residem no bairro Costeira. O trajeto até a nova unidade ultrapassa 2,5 km, e muitas das crianças têm menos de 10 anos, o que torna difícil o deslocamento a pé ou de bicicleta.
Pais relatam que os filhos enfrentam sol forte, sensação térmica elevada e, em dias de chuva, chegam às aulas molhados. Mães afirmam ter passado mal durante o trajeto, que muitas vezes precisa ser feito até oito vezes ao dia, devido às aulas em dois turnos.
A situação é ainda mais crítica para famílias em condições especiais. Um dos casos envolve uma criança com autismo, que tem dificuldades para percorrer a longa distância. Em outro, uma gestante de sete meses depende do marido para buscar o filho antes do trabalho, por não conseguir fazer o trajeto sozinha.

Além das dificuldades de transporte, o local onde as aulas estão sendo ministradas apresenta sérias limitações. O complexo de natação não foi projetado para atividades escolares: as salas são compartilhadas, sem divisórias, o que prejudica o aprendizado, especialmente de alunos com necessidades especiais. Também há queixas sobre bebedouros quebrados, ausência de cozinha própria e, mais recentemente, o aumento do barulho com o início das aulas de natação no local, dificultando a concentração dos alunos.
Em fevereiro, o empresário Paulo Henrique Carrinho, morador do bairro Costeira, lançou um abaixo-assinado para cobrar providências do poder público. No entanto, até agora, nenhuma medida concreta foi adotada para garantir o transporte dos alunos.
O que diz a Secretaria de Educação
Nossa equipe de reportagem entrou em contato com a Secretária Municipal de Educação, Fabíola Arcega, que enviou uma nota.
“Importante esclarecer que, desde o início, estamos tratando com seriedade a questão da estrutura da escola. Foi identificado que há indícios de movimentação no terreno e da estrutura, além de danos no telhado, com as treliças em um estágio avançado de deterioração. Mas quero ressaltar que a gestão tem se dedicado a acompanhar de perto essa situação.
A partir de nossa análise, já programamos intervenções pontuais, com a equipe própria da secretaria, em ações mais simples. Para as intervenções mais complexas, que demandam maiores recursos e cuidados, estamos no processo de planejamento, garantindo o uso eficiente dos recursos públicos para resolver a situação de forma adequada.
Nosso objetivo, sem dúvida, é que os alunos possam retomar suas atividades no segundo semestre, com a escola em condições adequadas e seguras. A nossa prioridade tem sido sempre o bem-estar da comunidade escolar, e estamos tomando todas as medidas necessárias para que essa situação seja resolvida da melhor forma possível”.



