BRASIL

Super El Niño pode provocar mais de 450 mil mortes por calor até fevereiro de 2027

A exposição prolongada pode causar desidratação, alterações nos sais minerais, problemas renais, arritmias, infartos e AVCs

Um estudo do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima que o atual episódio de El Niño poderá estar associado a cerca de 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor em todo o mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027.

O fenômeno deve elevar as temperaturas médias sobre áreas continentais e aumentar a frequência de dias de calor extremo. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 13,3 mil mortes adicionais, colocando o país entre os mais afetados pela projeção.

Como o calor pode levar à morte?

Especialistas explicam que o calor extremo não provoca apenas o chamado golpe de calor. Temperaturas muito elevadas fazem o organismo trabalhar mais para controlar a temperatura corporal, aumentando a perda de líquidos e sobrecarregando o sistema cardiovascular.

A exposição prolongada pode causar desidratação, alterações nos sais minerais, problemas renais, arritmias, infartos e AVCs. O calor também pode agravar doenças já existentes, principalmente cardiovasculares e respiratórias.

Idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos mais vulneráveis.

Além das altas temperaturas, o El Niño pode favorecer secas, incêndios, enchentes e alterações na ocorrência de doenças transmitidas por mosquitos, dependendo da região.

Os pesquisadores ressaltam que os 451 mil óbitos são uma projeção estatística, e não uma contagem de mortes já registradas. O cálculo busca estimar o impacto adicional do calor durante o período previsto para o fenômeno.

O estudo também destaca que o aquecimento global pode intensificar os efeitos do El Niño, tornando episódios de calor extremo cada vez mais frequentes e perigosos.

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