Operação Panóptico: homem é condenado a quase 17 anos por integrar organização criminosa em Paranaguá
Em todo o estado, 333 pessoas foram denunciadas em decorrência das investigações
Um homem denunciado por integrar uma organização criminosa de alcance nacional foi condenado a 16 anos, 9 meses e 18 dias de prisão no âmbito da Operação Panóptico, que investiga a atuação de uma facção articulada a partir de unidades prisionais. A sentença foi proferida na quarta-feira (7), pela 2ª Vara Criminal de Paranaguá, e representa a primeira condenação entre os 23 réus denunciados na comarca.
A ação foi conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Conforme a denúncia, o condenado ocupava posições de liderança na estrutura da organização criminosa, com atribuições de orientar e fiscalizar integrantes, aplicar medidas disciplinares e contribuir para a manutenção da hierarquia interna do grupo.
As investigações identificaram uma estrutura organizada, com divisão de funções, mecanismos de controle dos integrantes e comunicação entre pessoas que estão dentro e fora do sistema prisional.
Celular revelou documentos e conversas da facção
Entre as provas reunidas durante a investigação estão informações extraídas de um aparelho celular apreendido no endereço do condenado. A análise identificou documentos internos da organização criminosa, incluindo o estatuto do grupo e uma cartilha disciplinar, além de conversas em grupos de WhatsApp utilizados para transmitir orientações, controlar integrantes, atualizar cadastros, arrecadar dinheiro e divulgar decisões internas.
Os investigadores também encontraram registros com nomes, apelidos, histórico prisional e funções desempenhadas pelos integrantes. Outros documentos indicavam procedimentos de controle interno, substituição de responsáveis e atualização de informações dos membros.
As apurações apontaram ainda a Ilha dos Valadares, em Paranaguá, como um dos locais de concentração de lideranças e articulação das atividades da facção. Segundo os elementos reunidos, mensagens trocadas em grupos internos abordavam a arrecadação de recursos, o auxílio financeiro a integrantes, o suporte logístico a pessoas presas e a comunicação entre membros encarcerados e aqueles que estavam em liberdade.
Operação mobilizou forças de segurança em quatro estados
Deflagrada em 15 de junho de 2026, a Operação Panóptico teve abrangência estadual e mobilizou forças de segurança para o cumprimento de 304 mandados de prisão e 255 mandados de busca e apreensão. Ao todo, foram expedidas 559 ordens judiciais em quatro estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
A operação contou com a atuação conjunta dos dez núcleos do Gaeco no Paraná, em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, envolvendo as polícias Militar, Civil, Penal e Científica.
Em todo o estado, 333 pessoas foram denunciadas em decorrência das investigações. Somente em Paranaguá, o MPPR apresentou 21 denúncias, todas já recebidas pela Justiça, envolvendo 23 réus.



