Júri condena integrantes de facção por execução e atentado que deixou bebê paraplégica em Paranaguá
O julgamento ocorreu nesta terça-feira (3), e as penas aplicadas ultrapassam 71 anos de prisão.

O Tribunal do Júri da Comarca de Paranaguá condenou dois integrantes de uma organização criminosa envolvida em um atentado que resultou na morte de um jovem de 26 anos e deixou uma criança de apenas um ano de idade com sequelas permanentes. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (3), e as penas aplicadas ultrapassam 71 anos de prisão.
Os condenados participaram da execução de Wagner Henrique Rodrigues das Neves, de 26 anos, assassinato ocorrido em 29 de novembro de 2023, na Rua Balduína de Andrade Lobo, região do Morro da Cocada. Durante o ataque, outras duas pessoas também foram atingidas pelos disparos, entre elas uma menina de apenas um ano de idade, que ficou paraplégica após ser baleada no abdômen.
Com base na decisão soberana do Conselho de Sentença, o Poder Judiciário determinou o cumprimento imediato das penas em regime inicialmente fechado, negando aos réus o direito de recorrer em liberdade.
Condenações
O primeiro réu, que tinha 22 anos na época dos fatos, foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos e lesão corporal. A pena foi fixada em 38 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, além de 5 meses e 10 dias de detenção.
Já o segundo acusado, que possuía 18 anos quando o crime foi cometido, foi condenado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos. Em razão da atenuante da menoridade relativa, a pena definitiva foi estabelecida em 32 anos, 9 meses e 23 dias de reclusão.
Noite de terrorSegundo as investigações, os criminosos chegaram ao local com a missão de executar Wagner Henrique Rodrigues das Neves, em meio ao conflito entre facções criminosas que atuavam no litoral paranaense.
Durante a ação, diversos disparos foram efetuados. Além da vítima fatal, uma jovem de 18 anos foi atingida na região das nádegas, sofrendo ferimentos que resultaram na condenação por lesão corporal de um dos acusados.
A situação mais grave envolveu uma menina de apenas um ano de idade, que estava junto à vítima principal em uma bicicleta. A criança foi atingida por um disparo no abdômen, sobreviveu após atendimento médico, mas ficou paraplégica em decorrência dos ferimentos.
Ordem de execução dos próprios atiradores
As investigações revelaram ainda um fato que chamou a atenção das autoridades. Após o atentado, o comando da facção criminosa responsável pela ordem de execução teria determinado a morte dos próprios atiradores por eles terem atingido a criança durante a ação.
Pouco tempo depois, os dois criminosos foram encontrados pela Polícia Militar escondidos em uma residência no bairro Emboguaçu. Ambos apresentavam ferimentos provocados por disparos de arma de fogo efetuados por um terceiro envolvido na organização criminosa. Eles foram socorridos e encaminhados ao Hospital Regional do Litoral, onde sobreviveram.



