Milhares de pessoas se emocionam com os desfiles das escolas de samba em Paranaguá
Quatro agremiações se apresentaram: Leão da Estradinha, Filhos da Gaviões, Unidos da Ponta do Caju e União da Ilha do Valadares.
A noite de domingo, dia 15, entrou para a história recente de Paranaguá. Após cinco anos sem desfile oficial no Carnaval, as escolas de samba voltaram à avenida, na Praça de Eventos do Centro Histórico. O reencontro entre comunidade, cultura e samba foi marcado por emoção, arquibancadas cheias e o brilho nos olhos de quem esperou por esse momento.
Quatro agremiações se apresentaram: Leão da Estradinha, Filhos da Gaviões, Unidos da Ponta do Caju e União da Ilha do Valadares. Cada escola teve entre 45 e 60 minutos para desfilar, sendo avaliada por jurados em quesitos como bateria, harmonia, fantasias, evolução e enredo. A estrutura montada pela Prefeitura contou com palco, sistema de som e arquibancadas, garantindo conforto e segurança ao público.

O prefeito Adriano Ramos destacou que o retorno do desfile simboliza o cumprimento de um compromisso assumido com a população. “Nós nos comprometemos em fazer o melhor carnaval do estado do Paraná. Hoje, aqui na avenida, o que a gente vê é a felicidade dos integrantes das escolas e as famílias reunidas para assistir ao desfile. É uma festa para as famílias de Paranaguá”, afirmou. Segundo ele, após equacionar o déficit financeiro herdado pela gestão, foi possível retomar investimentos em eventos culturais e estruturais.
A vice-prefeita Fabiana Parro definiu o momento como um verdadeiro resgate. “É um momento muito especial. Dá para sentir o grito que estava guardado na garganta de todos. É resgatar a nossa cultura, a nossa história, homenagear carnavalescos que já não estão mais aqui”, declarou, ao destacar o empenho das escolas para apresentar “o melhor carnaval do Litoral”.
O desfile
Leão da Estradinha – recomeçar do zero
Com cerca de 200 integrantes, a Leão da Estradinha levou à avenida o enredo “Com que roupa eu vou para o samba que você me convidou?”, uma proposta que brinca com identidade, estilo e pertencimento no universo do samba.

A presidente Elza Olsen viveu uma estreia dupla: primeiro desfile à frente da escola e o primeiro Carnaval após o hiato de cinco anos. “Foi muito difícil. A gente teve que começar tudo do zero”, afirmou. Segundo ela, a reconstrução só foi possível graças ao envolvimento coletivo. “São muitas famílias envolvidas. É a força da nossa família e dos nossos amigos que está fazendo esse Carnaval acontecer”, disse.
Elza não escondeu o caráter competitivo, mas reforçou o espírito coletivo do retorno. “A gente espera que todas as escolas façam um belíssimo Carnaval. Mas viemos para buscar um título inédito na nossa vida”, contou.
A escola também apresentou estreia na bateria, comandada por Lucas Calado. A expectativa, segundo a presidente, era de que a emoção superasse o desgaste da preparação.
Filhos da Gaviões – fé, resistência e memória
Fundada em 2003, a Filhos da Gaviões apresentou o enredo “Santa Josefina Bakhita – Fé na Adversidade”, contando a trajetória da mulher sudanesa sequestrada na infância, escravizada e posteriormente canonizada pela Igreja Católica.
Com 180 integrantes, seis alas e dois carros alegóricos, a escola trouxe uma narrativa de superação e espiritualidade.

O presidente Cláudio Antônio do Nascimento, mais conhecido como Cláudio Apiacas, explicou que o tema foi escolhido ainda em 2020, por sugestão de um amigo, o padre Denildo da Silva, e aguardava a retomada do desfile. “A expectativa foi muito trabalhosa, mas é para ganhar o Carnaval”, afirmou, sem rodeios. Ao falar sobre o período sem desfile, ele foi direto: “Para quem gosta de samba, para quem gosta da folia, ficar quase seis anos sem Carnaval foi muito dolorido. Para nós é tudo”.
Cláudio destacou que o enredo representa mais que uma homenagem religiosa. “É cultura. Carnaval é cultura do Brasil. Não é só do Paraná”, concluiu.
Unidos da Ponta do Caju – esforço extremo e união entre rivais
Com 180 componentes, dois carros alegóricos e um tripé, a Unidos da Ponta do Caju estruturou seu desfile sobre a simbologia do número sete — dos sete dias da criação às sete cores do arco-íris, passando por crenças populares e religiosidade.

O vice-presidente Anderson Ramos relatou o impacto do curto prazo de preparação. “Foi bem difícil. Estamos alguns dias sem dormir direito. Eu estou há dois dias praticamente sem dormir”, revelou.
Ele explicou que o pouco tempo exigiu esforço intenso da equipe. “Foi muito corrido. Cinco anos sem Carnaval e tivemos pouco tempo para preparar tudo”.
Apesar da disputa, Anderson destacou o espírito de cooperação entre as agremiações. “A rivalidade é só na avenida. Fora dela, somos amigos. Tem gente que desfila em mais de uma escola. Todo mundo quer que o Carnaval volte forte”, contou.
União da Ilha do Valadares – tradição e identidade histórica
Fundada em 1988, a União da Ilha do Valadares é uma das escolas mais tradicionais do município, com diversos títulos ao longo das últimas décadas. Neste retorno, levou mais de 300 integrantes à avenida com o enredo “O povo é a força”, abordando a história da África e a resistência da mulher negra.
O presidente Edvaldo Pedro destacou o esforço coletivo após cinco anos sem desfile. “É muita correria demais para voltar depois de cinco anos”, afirmou.

Ele ressaltou que o enredo partiu de pesquisa histórica sobre o passado escravocrata da região. “Muita gente não sabe que o Valadares teve esse histórico. Nós estudamos e queremos trazer essa realidade para a avenida”, disse.
Mesmo confiante na competição, reforçou o respeito entre as escolas. “Nós estamos aqui para concorrer e vencer, mas todas são guerreiras. Rivalidade é só na avenida. Fora dela, um ajuda o outro”, afirmou.
Com informações da Prefeitura de Paranaguá
Fotos: Moyses Zanardo e Wilson Leandro


