POLICIAL

PCPR indicia quatro pessoas por desvio de aparelho de raio-X em Matinhos

O equipamento, avaliado em aproximadamente R$ 100 mil, havia sido doado pelo Governo do Estado ao município em 2011

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu na sexta-feira (6) o inquérito que investigava o desvio de um aparelho de raio-X pertencente ao Hospital Municipal de Matinhos, no Litoral do Estado. Quatro pessoas foram indiciadas por envolvimento no esquema, que teria desviado patrimônio público e fraudado procedimentos de contratação.

O equipamento, avaliado em aproximadamente R$ 100 mil, havia sido doado pelo Governo do Estado ao município em 2011. A investigação começou após denúncia de que o aparelho teria sido retirado indevidamente da unidade hospitalar e instalado em uma clínica privada em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.

Durante as diligências, a PCPR deflagrou uma operação no dia 29 de janeiro de 2025, quando localizou e recuperou o equipamento, que estava em pleno funcionamento na clínica particular. A partir disso, os policiais aprofundaram a apuração e identificaram um esquema que, segundo a corporação, envolvia duas frentes criminosas: a apropriação de patrimônio público de alto valor e a fraude em processos de contratação sem licitação.

De acordo com o delegado Thiago Fachel, responsável pelo caso, o aparelho foi retirado do hospital sob a justificativa de manutenção emergencial, durante a madrugada e sem registro formal adequado. Em seguida, foi encaminhado à clínica dos investigados.

Paralelamente, outro equipamento de raio-X, pertencente ao município de Rio Branco do Sul, teria sido instalado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Matinhos, com a retirada de todos os identificadores patrimoniais, numa tentativa de ocultar a substituição.

As investigações também apontaram irregularidades na contratação direta de uma empresa ligada aos suspeitos. Conforme a PCPR, a situação de emergência que justificaria a dispensa de licitação foi criada artificialmente.

“A pesquisa de preços foi feita apenas com empresas do mesmo grupo econômico familiar, todas registradas no mesmo endereço, o que comprometeu a competitividade do processo. Além disso, o valor contratado era quase o dobro do que vinha sendo pago anteriormente por meio de licitação”, explicou o delegado.

Diante das provas reunidas, dois proprietários da empresa foram indiciados pelos crimes de peculato apropriação e contratação direta ilegal. Outros dois servidores municipais também foram responsabilizados por participação na contratação irregular.

O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário, que dará sequência aos procedimentos legais.

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