Servidor público de Matinhos é denunciado pela ex-esposa por violência doméstica e descumprimento de medida protetiva
Uma mulher, moradora de Matinhos, procurou nossa equipe de jornalismo para realizar uma denúncia, que diz respeito a mais de 11 anos de um relacionamento marcado por violência doméstica, ameaças, agressões físicas e psicológicas. O acusado é seu ex-marido, funcionário público da Prefeitura de Matinhos. Atualmente, o homem foi preso pela PCPR, no dia 8 de janeiro, durante os trabalhos da Operação Verão.
Segundo o relato, desde o início do relacionamento os sinais de abuso já estavam presentes, começando com gritos, intimidação e socos na parede. Com o passar dos anos, as agressões se intensificaram, assim como as traições. Em 2024, a situação atingiu um nível extremo, quando, conforme a vítima, passou a ser ameaçada com faca, enforcada e agredida fisicamente, inclusive durante o período de Natal. Mesmo diante da violência, ela afirma que perdoou repetidas vezes acreditando nas promessas de mudança, motivada principalmente pela tentativa de manter a família unida.
Em 2025, ao descobrir novas traições, incluindo um relacionamento do agressor com uma mulher em situação de rua, a vítima relata ter compreendido que o ciclo de violência não teria fim. Sempre que pedia para que ele deixasse a residência, as agressões aumentavam, sendo necessário acionar a polícia em diversas ocasiões. Segundo ela, quando as equipes se retiravam, o agressor pedia para que não fosse registrado boletim com base na Lei Maria da Penha, prometendo que iria deixá-la em paz. promessa que nunca se cumpriu.
O cenário se agravou quando, de acordo com o relato, as agressões passaram a atingir também o filho do casal de apenas 9 anos. A criança, autista, teria sido submetida a violência psicológica constante. Em um dos episódios mais graves, a mulher afirma que foi agredida com uma vassoura enquanto o agressor incentivava o próprio filho a bater nela.
Diante do medo e da gravidade da situação, a mulher solicitou medidas protetivas. No entanto, mesmo com decisão judicial em vigor, o agressor continuou se aproximando, utilizando como justificativa o desejo de ver o filho. No dia 1º de dezembro, ele teria invadido a residência da vítima, a agredido novamente, proferido ofensas contra a criança, quebrado as chaves do portão e da casa, além de furar os pneus do carro. Temendo pela própria vida, ela correu até a delegacia para pedir socorro. Segundo o boletim, o agressor foi atrás dela, afirmando que nada aconteceria com ele. Esse episódio resultou em sua prisão, porém ele foi solto no dia seguinte.
Após a liberação, a vítima relata que voltou a ser perseguida. Ela afirma que recebeu diversas ligações ameaçadoras, que o agressor passou a enviar mensagens ao filho questionando onde ela estava e tentou invadir novamente a casa. Diante do descumprimento da medida protetiva, um novo registro foi feito, o que resultou em outra prisão.
Abalada emocionalmente, a mulher afirma que ainda vive sob constante medo. “O meu sentimento é que a justiça seja feita. Tenho crises de pânico até hoje, meu filho tem crises de nervoso quase todos os dias. Estamos fazendo acompanhamento psicológico para conseguir lidar com todo esse processo”, desabafa. Ela relata que, recentemente, recebeu uma informação falsa de que o agressor teria sido solto novamente, o que a levou a passar mal e procurar atendimento médico. “Fui parar na UPA de tão nervosa que fiquei. Meu maior medo é ele ser solto e vir atrás da gente novamente.”
O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades competentes e envolve crimes previstos na Lei Maria da Penha, incluindo violência doméstica, ameaça, injúria e descumprimento de medida protetiva.



