LITORAL DO PARANÁ

Regulação do SAMU deve deixar Paranaguá e passar para Curitiba a partir de outubro

A partir de 1º de outubro, a regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) no litoral do Paraná deve passar a ser feita por Curitiba, deixando de ter sua central instalada em Paranaguá. A medida tem como justificativa principal a economia de recursos e a padronização dos protocolos de emergência.

Atualmente, quando um morador de Paranaguá, Matinhos, Pontal do Paraná, Morretes, Antonina ou Guaraqueçaba liga para o 192, a chamada é recebida na central do SAMU em Paranaguá, que faz a regulação médica e encaminha a ocorrência para as equipes de plantão. Com a mudança, todas as ligações serão direcionadas para Curitiba, que ficará responsável pela triagem e pela liberação das ambulâncias no litoral.

Resistência e mobilização local

Desde que a possibilidade foi anunciada, servidores do SAMU vêm se mobilizando contra a transferência. Em agosto, profissionais realizaram um protesto na Câmara Municipal de Paranaguá, alertando para os riscos de perda de agilidade no atendimento e de cortes de pessoal. Segundo a categoria, cerca de 87 servidores podem ser diretamente afetados pela centralização.

“Hoje, quando alguém liga para o 192 em Paranaguá, a ligação é atendida imediatamente por quem conhece a região. Em Curitiba, o sistema é diferente, a demanda é muito maior e o litoral será apenas mais uma área a ser atendida. Isso pode atrasar a resposta em minutos preciosos para salvar uma vida”, afirmou um dos representantes da equipe.

Além das manifestações locais, o movimento ganhou apoio nas câmaras de vereadores de Paranaguá, Antonina e Morretes, além de parlamentares estaduais e até um deputado federal, que levou a discussão para Brasília. No entanto, em municípios como Matinhos e Pontal do Paraná a recepção foi mais resistente, e o debate acabou não avançando.

Preocupações técnicas

Entre os pontos de maior preocupação está a perda de ferramentas criadas especificamente para o litoral. Um exemplo é um aplicativo interno utilizado na regulação, que, segundo os servidores, não funciona no sistema da capital. Também há receio quanto à perda da interface direta com a imprensa e com órgãos locais, como a Polícia Militar e a Guarda Municipal, que frequentemente trabalham de forma integrada em ocorrências emergenciais.

Projetos de extensão, como o SAMUzinho, voltado para ações educativas em escolas e comunidades, também podem ser interrompidos. Outro dado que preocupa é o tempo médio de resposta atual, de cerca de 19 minutos entre a chamada e a chegada da equipe ao local. O receio é de que, com a regulação a distância, esse índice se eleve. O SAMU realiza, em média, 1.500 atendimentos por mês no litoral.

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